A simplicidade do evangelho


A proposta de Jesus era resgatar o real sentido das ordenanças divinas



Um único trecho da Bíblia, o capítulo 12 do evangelho segundo Mateus, traz pequenos relatos em que é exposta a simplicidade de Jesus desmascarando a arrogância dos mestres da lei e dos fariseus de seu tempo. As autoridades religiosas do contexto histórico em que o Filho de Deus viveu neste mundo censuravam-no constantemente. Incomodados porque seus seguidores colhiam e comiam espigas no dia considerado sagrado, os fariseus reclamaram: “Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito no sábado” (Mateus 12.2). A estes, Jesus responde dizendo que a misericórdia era mais importante do que o sacrifício.

Mais adiante, os doutores continuaram procurando ocasião para acusá-lo como infrator da lei. Diante da cura de um enfermo em plena sinagoga, saíram-se com esta: “É lícito curar no sábado?” (vs. 10). Quando Jesus libertou um opresso das amarras dos demônios que o atormentavam, os escribas e fariseus blasfemaram: “Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios” (vs. 24). Por último, pediram ao Mestre que fizesse algum sinal (vs. 38). De forma indireta, Cristo responde que o principal sinal seria a sua própria ressurreição – mas advertiu que, mesmo assim, eles continuariam incrédulos.

Jesus foi muito perseguido pelos clérigos porque a sua mensagem os expunha. Os líderes judeus sobrecarregam o povo com obrigações inócuas, criando um sistema religioso que mantivesse seu poder e seus privilégios. O detalhe é que o Salvador não tinha dificuldades com a lei mosaica, pois foi o próprio Deus que a deu. O incômodo de Jesus era com os apetrechos e pesos que as autoridades religiosas vinham colocando sobre essa lei. Sua proposta era resgatar o real sentido das ordenanças divinas – e ele a expressou com uma proclamação antológica: “Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. A religiosidade sobrecarrega, enquanto que a mensagem de Jesus alivia.

Dois mil anos se passaram, e quando analisamos o cristianismo que temos vivido, percebemos que também nós, à semelhança daqueles fariseus e doutores da lei, temos posto tantos apetrechos no Evangelho que a prática de nossa fé se torna pesada e confusa. A Igreja Evangélica de hoje vive às voltas com práticas doutrinárias e litúrgicas heterodoxas, colocando sobre os crentes um fardo de regras e obrigações difíceis de suportar. As organizações eclesiásticas do século 21 parecem envolvidas numa série de práticas que não a aproximam da verdadeira essência do Evangelho proposto pelo Salvador.

É necessário pensar no que de fato é a experiência do Reino de Deus e no que é simples ornamento. Podem ser ornamentos belos, úteis, justificáveis, funcionais e bem intencionados; práticas inteligentes, sofisticadas e com alto poder de alcance – no entanto, não é isso a essência da vida cristã. As estruturas eclesiásticas não são a Igreja. As coisas que construímos para facilitar a divulgação da fé não podem ser confundidas com o próprio Evangelho. Pastores vivem tentados a impressionar os ouvintes com o poder das suas palavras. Quando nos damos conta de que o teor estético das mensagens sobrepuja a espiritualidade, já estamos viciados em técnicas de oratória. É um efeito perverso, que se volta contra o próprio pregador. E o pior é que nem sempre a palavra profética cabe nos invólucros eclesiásticos.

Há a construção de uma dicotomia artificial nas nossas igrejas. Pensam alguns que espiritual é tudo que é apresentado numa roupagem exótica e excêntrica. Sob esta perspectiva, o que genuinamente vem de Deus é aquilo que é desconhecido e diferente. Em decorrência desse pensamento, práticas espirituais rotineiras como estudo da Bíblia, oração sistemática, serviço cristão e comunhão são vistos como traços da tradição que não provocam calor nem rubor. O templo, as organizações eclesiásticas, a liturgia, os programas e as atividades não são em si o Evangelho. É possível viver o Evangelho sem se envolver com essas estruturas eclesiásticas, assim como é possível estar totalmente envolvido com elas e não conhecer a Cristo.

Sofremos da epidemia que reduz Deus a coisas temporais da igreja ou na igreja. Acontece que quem vive para fazer um mecanismo funcionar com a força do próprio braço tende inexoravelmente à exaustão. Esgota-se quem carrega os apetrechos da fé. Talvez a confissão de pecado que tenhamos que fazer como Igreja cristã acentuadamente dogmática e institucionalizada seja por ter tirado Deus do centro e posto em seu lugar as coisas referentes a ele. O Espírito Santo pode agir dentro das estruturas que criamos, mas age também a despeito delas. Por isso, não é aconselhável que se baseie a vida em nome de um brasão eclesiástico ou denominacional, mas é coerente que aqueles que têm crido entreguem-se por completo ao Senhor, a fim de que o Evangelho floresça.

Fonte: [ Cristianismo Hoje ]

0 A necessidade de se levar Deus a sério


Os tempos são terríveis. O apóstolo Paulo já disse que nos últimos dias, isso sucederia de maneira quase irreversível (2TM 3.1ss). É lamentável ver o que está acontecendo também no meio "cristão". As coisas não tem sido levado a sério e ao que parece, nem Deus tem sido levado a sério.

Os escândalos estão sendo tratados de modo muito banal, e nada é feito para erradicar o mau que se aloja a cada dia em nosso meio.

Igreja virou sinônimo de lucro, por parte de muitos lideres religiosos. O culto, entretenimento para os ávidos por diversão e novos frenesis. A Bíblia, apenas mais um livro para muitos, que não acreditam mais em sua infalibilidade. O Espírito Santo, apenas uma força motora que precisa se invocando na hora de pedir um “avivamento”. Deus, um servo que deve estar pronto para atender os seus “senhores” cheios de caprichos e vaidades. E, o, cabeça da igreja, Cristo? Está esquecido, posto de lado, tratado como algo secundário, que às vezes entra em voga no momento do ofertório.

Mas o que tem acontecido? De fato, apresentaram um outro evangelho para a nossa geração, que o tem abraçado sem discernimento, crítica ou crivo nem de consciência. A ordem é: “O importante é ser feliz”. E, nessa filosofia de vida, que os homens enquadram o Evangelho nos “novos evangelhos”, que descarta Igreja, culto a Deus, Deus, Bíblia, Espírito Santo e o Senhor Jesus Cristo.

Voltemos a simplicidade do Evangelho, a vida em comunidade, exortando, orientando, curando uns aos outros, em amor, ministrando e sendo ministrados, dando proeminência ao Espírito Santo que é o Único que pode nos convencer do pecado, da justiça e do juízo.

Que tal, se a nossa geração levasse Deus mais a sério?

Paz seja convosco!

07 razões porque devo rejeitar o ensino das sementes de Mike Murdock e Silas Malafaia.


Por Renato Vargens


Há algumas semanas os senhores Silas Malafaia e Mike Murdock ensinaram em um programa de televisão a doutrina das sementes.

Segundo o teólogo da prosperidade Mike Murdock, "dinheiro atrai dinheiro", isto é, quando o crente OFERTA a Deus, (independente da motivação) automaticamente atrai o favor do Senhor lhe trazendo mais dinheiro. Murdock também costuma ensinar que devemos plantar dinheiro para colher mais dinheiro, como se fosse uma lei de semeadura financeira, que ele chama de "lei da semente". Ele também prega a existência de aproximadamente seis níveis de semeadura. Segundo ele um destes níveis é a semente de mil”. Murdock dá uma significado a certas quantias da semente: “tem havido cinco níveis de colheitas incomuns em minha vida $58, $100, $200, $1000 e $8500. Uma semente de mil dólares quebrou a pobreza em minha vida. Ninguém pode semear estes mil dólares para você." Em outras palavras isso significa “eu quebrei a pobreza com uma semente de mil dólares” façar o mesmo, envie sua oferta que a pobreza será quebrada.

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Deus não é um tipo de bolsa de valores que quanto mais "investimos" mais dinheiro recebemos. Deus não se submete as nossas barganhas nem tampouco àqueles que pensam que podem manipular o sagrado estabelecendo regras de sucesso pessoal.

Diante do ensino exposto gostaria de trazer sete razões porque não devemos aceitar a doutrina das sementes de Mike Murdock e Silas Malafaia:



1º - A prosperidade financeira pode ser uma benção na vida de um cristão, mas que isso não é uma regra. Deus não tem nenhum compromisso de enriquecer os seus filhos. (Fp 4.10-12)

2º - A prosperidade financeira do cristão se dá mediante o trabalho e não através de barganhas religiosas.

3º - Do ponto de vista bíblico as bênçãos de Deus jamais poderão ser compradas. Tudo que temos e possuimos vem pela graça de Deus.

4º - Para nós protestantes as Escrituras Sagradas prevalecem sobre quaisquer visões, sonhos ou revelações que possam surgir ou aparecer. (Mc 13.31)

5º - Para nós protestantes todas as doutrinas, concepções ideológicas, idéias, projetos ou ministérios devem passar pelo crivo da Palavra de Deus, levando-se em conta sua total revelação em Cristo e no Novo Testamento. (Hb 1.1-2)

6º - Para nós protestantes a Bíblia é a Palavra de Deus e que contém TODA a revelação que Deus julgou necessária para todos os povos, em todos os tempos, não necessitando de revelações posteriores, sejam essas revelações trazidas por anjos, profetas ou quaisquer outras pessoas. (2 Tm 3.16)

7º - O cristão é peregrino nesta terra e, portanto, não tem por ambição conquistar as riquezas desta terra. “A pátria do cristão está nos céus, de onde aguardamos a vinda do nosso salvador, Jesus Cristo”. (1 Pe 2.11)

Pense nisso!

Infelizmente eles não querem mais!


Infelizmente eles não querem mais as doutrinas da graça, preferem semear sementes.
Infelizmente eles não não querem mais adorar a Deus, querem shows.
Infelizmente eles não querem mais pregar sobre arrependimento, querem vitória a qualquer preço.
Infelizmente eles não querem mais viver uma vida de quebrantamento, querem determinar as bênçãos de Deus.
Infelizmente eles não querem mais as Escrituras Sagradas, preferem "o reteté de Jeová".
Infelizmente eles não querem mais pregar o evangelho, preferem um cristianismo "cabalistico" cheio de números.
Infelizmente eles não querem mais ser chamados de servos, preferem o titulo de apóstolo.
Infelizmente eles não querem mais viver uma vida simples, querem o DNA da Honra.
Infelizmente eles não querem mais a mensagem libertadora da Cruz de Cristo, querem quebrar maldições hereditárias.
Infelizmente eles não querem mais a previdência divina, querem o trízimo do povo de Deus.
Infelizmente eles não querem mais a graça, querem vender indulgências.
Infelizmente eles não querem mais servir a Deus como mordomos, querem fazer de Deus o seu gênio da lâmpada mágica.


Dias dificeis os nossos!


“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (II Pedro 2 :3)


Nosso Senhor veio trazer uma mudança radical ao modo antigo das coisas, substituindo-o por uma
nova ordem. Ele veio para trazer um novo pacto — um novo reino — um novo nascimento —
uma nova raça — uma nova espécie — uma nova cultura — e uma nova civilização.
Leia do princípio ao fim os Evangelhos, e veja seu Senhor, o Revolucionário. Veja como
espalha pânico entre os fariseus ridicularizando intencionalmente suas convenções. Numerosas
vezes Jesus curou no Sábado, frontalmente rompendo sua querida tradição. Se o Senhor pretendesse
aplacar a ira de seus inimigos, Ele bem que poderia esperar chegar o domingo ou a segunda-feira
para curar algumas daquelas pessoas. Mas não, Ele deliberadamente curou no sábado sabendo
perfeitamente que seus oponentes ficariam furiosos.
Este modo de agir tem um sentido profundo. Certa vez Jesus curou um cego misturando barro
com saliva e colocando-os nos olhos do homem. Tal fato foi um desafio direto à ordenança judaica
que proibia curar aos sábados misturando barro com saliva!3[3] Todavia seu Senhor,
intencionalmente, rompeu publicamente esta tradição e com a mais absoluta resolução. Veja como
ele come sem lavar as mãos sob o olhar crítico dos fariseus, nova e propositadamente desafiando
sua tradição fossilizada.
Em Jesus temos um Homem que recusava render-se diante das pressões da conformidade
religiosa. Um Homem que pregava uma revolução. Um Homem que não tolerava a hipocrisia. Um
Homem que não tinha medo de provocar aqueles que suprimiram o evangelho libertador que Ele
trouxera para libertar os homens. Um Homem que não se importava em despertar a cólera de seus
inimigos, levando-os a preparar-se para a luta.
Onde pretendo chegar? Nisso. Jesus veio não apenas como Messias, Ungido de Deus, para
libertar seu Povo das ataduras da queda.
Ele veio não apenas como Salvador, pagando uma dívida que não era dEle para quitar os
pecados da humanidade.
Ele veio não apenas como Profeta, consolando aflitos e afligindo acomodados.
Ele veio não apenas como Sacerdote, representando o homem perante Deus e representando
Deus perante o homem.
Ele veio não apenas como Rei triunfante sobre toda autoridade, principado e poder.
Ele também veio como Revolucionário, rompendo o velho odre com o intuito de introduzir o
novo.
Veja seu Senhor, o Revolucionário!
Para a maioria dos cristãos esta é uma nova visão de Jesus. Assim, expor o que vai mal na
moderna igreja para que o Corpo de Cristo possa cumprir a intenção última de Deus é uma simples
expressão da natureza revolucionária de nosso Senhor. A meta dominante dessa natureza é colocar
você e eu no centro do coração palpitante de Deus. Colocar você e eu no centro de seu propósito
eterno — um propósito pelo qual tudo foi criado.5[5]
O que se necessita, portanto, é uma revolução dentro da fé cristã. Movimentos de renovação não
farão isso. Revivamentos não atingirão isso. Ambos foram plenos nos últimos 50 anos. (Eu poderia
acrescentar que eles tomam uma nova forma a cada cinco anos). Movimentos de renovação e
revivamentos nunca foram suficientemente potentes para quebrar a imensa inércia da tradição
religiosa.
Movimentos de renovação e novas formas para a igreja são como mudar as roupas de um
manequim. Por mais que troquemos essa roupa nunca daremos vida a ele, não importa quão de
vanguarda ela seja. Não! É necessário meter fogo na raiz do problema e acender uma revolução!


Um radical de verdade tem que ser um homem de raízes. Em termos que
sempre utilizo, "O revolucionário é um 'forasteiro' diante da estrutura que vê
colapsando: Certamente ele tem que se ver fora dela. Mas o radical vai até as
raízes de sua própria tradição. Tem que amá-la: Tem que chorar sobre Jerusalém,
mesmo pronunciando sua sentença...”
-John A.T. Robinson

REVOLUCIONÁRIO


Se o cristianismo rejuvenescesse, este rejuvenescimento teria que ser de alguma
maneira diferente do que ocorre agora. Se a Igreja na segunda metade deste século
[XX] pretende recuperar-se das feridas que sofreu durante a primeira metade, então
precisara de um novo tipo de pregador. O conveniente chefe de sinagoga nunca vai
funcionar. Nem o tipo sacerdotal que desempenha suas funções e recebe sua paga sem
outras preocupações, nem o tipo pastoral com sua ‘língua de ouro’ que sabe como fazer
para que o evangelho seja saboroso e aceitável a todos. Todos estes tipos foram
reprovados e nada resolveram. Outro tipo de líder religioso precisa surgir entre nós. Ele
precisa ser do tipo do antigo profeta, um homem que tem visões de Deus, um homem
que escuta a voz vinda do trono. Quando ele vir, (e eu oro, oh! Deus! Que não haja
apenas um, mas muitos), ele questionará tudo aquilo que nossa civilização considera
precioso. Ele colocará em dúvida, denunciará e protestará em nome de Deus e será alvo
do ódio e da oposição de grande parcela da Cristandade.
-A.W. Tozer

Você realmente é um cristão?


Você é cristão? Essa é a pergunta que estou fazendo e solicitando que pense a respeito. Quero que você pergunte a si mesmo como pode ter certeza que Jesus Cristo é seu Salvador, e que a misericórdia de Deus já lhe alcançou. Nos capítulos anteriores eu disse que podemos saber estas coisas - e examinamos as diferentes formas em que Deus age para trazer as pessoas a Si.
Agora quero apresentar alguns sinais ainda mais evidentes que mostram que uma pessoa é cristã autêntica. A fé é um desses sinais, pois a fé é necessária para que sejamos salvos do pecado. Como Paulo e Silas disseram ao carcereiro em Filipos, "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo" (Atos 16:31).
Apesar disso, às vezes as pessoas pensam que a fé é misteriosa - tão estranha e misteriosa que jamais a podem atingir. Para elas eu diria: a fé não é tão difícil como muitos pensam. Sim - a fé é dádiva de Deus, e não podemos produzi­da. Mas, "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo" (Rom. 10:9). Leia a passagem inteira em Romanos, capítulo 10, versículos 5 a 13, e verá que Paulo está dizendo que a fé não é coisa difícil. De fato é uma questão da vontade e do coração. Significa chegar-se a Jesus Cristo, descansar e confiar nEle, apoiar-se nEle e achar nosso tesouro nEle. Fé é questão de querer a Jesus Cristo, e procurá-1o para salvação do pecado. Significa receber a Jesus desse modo. João diz: "a todos quantos o receberam, deu lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1:12). Fé significa vir a Cristo, buscando-O com anseio. "Tudo o que o Pai me dá virá a mim", diz Jesus, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (João 6:37). Fé significa buscar a Jesus e querer a Sua salvação -"Olhai para mim, e sereis salvos, vós todos os termos da terra" (Is. 45:22).
Assim a fé, do modo que estou falando no momento, não é algo difícil; não significa ter o entendimento de coisas difíceis sobre Deus. Inicialmente, fé não implica em crer que Deus me escolheu, ou que Deus me ama, ou que Cristo morreu por mim. Essas coisas são, de fato, difíceis. Mas a fé que traz a todos nós para as bênçãos de Deus não é assim; a fé que nos traz à salvação é questão de querer a Cristo, ser levado a Ele, apoiar-se e ter confiança nEle.
Mesmo assim, para alguns, essa fé salvadora é reivindicação excessiva. Dizem-nos que é excesso de confiança dizer que foram levados a Jesus Cristo. Entretanto, se devemos ser salvos, temos que ter aquela fé que nos conduz a Jesus Cristo e não nos deixa afastar dEle. Sem essa fé confiante, nada mais será suficiente. A não ser que creiamos, ainda estamos condenados por Deus. "Quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (João 3:18). Assim, ter fé salvadora não e nada demais para reivindicar. Se não podemos reivindicá-la, não temos esperança nenhuma.
Ainda assim, as pessoas dizem que não podemos ter certeza de possuirmos fé. O apóstolo João, no entanto, nos diz em sua Primeira Epístola que aquele que crê tem um testemunho em si mesmo (1 João 5:10). Noutras palavras,podemos saber que estamos confiando em Cristo. Como podemos saber disso? Bem, no último capítulo expliquei que muitas vezes descobrimos que Deus nos predispôs para a fé. Ficamos convencidos de que estamos perdidos; percebemos que não podemos nos salvar do pecado, e que somente Cristo é capaz de nos salvar completamente. Sabemos que essa é a única coisa boa que podemos fazer. Esse tipo de predisposição ocorre muitas vezes antes da vinda da fé verdadeira.
Outras coisas vêm com essa fé verdadeira. Se estamos confiando em Cristo, vamos querer que Ele controle as nossas vidas; aprenderemos do Seu ensino; vamos querer nos entregar completamente e sem reserva a Ele. Todas estas coisas, e outras mais, acompanham a fé autêntica; mas embora sejam evidências para nós, devo dizer ainda que, à parte delas, podemos saber em nós mesmos, pela ajuda costumeira do Espírito Santo, se realmente temos fé no Senhor Jesus Cristo -ou se não a temos.
Talvez ajude se eu disser um pouco mais sobre a natureza desta fé. A Bíblia a descreve de vários modos -pois a fé é uma experiência diferente para pessoas diferentes. Às vezes é descrita como querer se unir a Deus e à Sua paz. Isaías chama isso de "olhar para Deus": "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra" (Is. 45:22). Olhar pode parecer um ato de fé muito fraco, pois podemos olhar àquilo que não devemos aproximar nem tocar; podemos olhar a alguém a quem não temos coragem de falar. Contudo, Deus prometeu que aqueles que olharem para Ele com fé serão salvos do pecado. Isso é simplesmente evidenciado como olhar para Deus, querer ser unido a Deus. É dessa fé que a Bíblia fala ao se referir como "querer": "Quem quiser, tome de graça da água de vida" (Apoc. 22:17). Essa fé que olha para Deus também é descrita como ter "fome e sede de justiça" (Mat. 5:6).
Às vezes a fé é descrita com "dependendo do Senhor", ou "descansando" em Jesus Cristo. É colocada também como "confiando em Deus". Isaías nos diz que Deus conservará em paz perfeita aqueles cujas mentes estão fixas nEle, porque confiam nEle (Is. 26:3).
A fé também é descrita como "esperando por Deus". Deus prometeu: "os que confiam em mim não serão confundidos" (Is. 49:23). De fato, a Bíblia nos mostra claramente que Cristo pode fazer o bem aos pecadores segundo a necessidade deles. A fé nos leva a Cristo nos modos como Ele é descrito: quando ouvimos sobre Cristo como o pão da vida, a fé tem fome dEle; quando ouvimos sobre Cristo levantado da morte, a fé crê que Deus O levantou. A fé crê no nome de Jesus, conforme todos os modos em que Jesus é descrito.
Deixem-me repetir, entretanto, que nem todos experimentam a fé do mesmo modo ou com o mesmo ímpeto. No Novo Testamento Jesus fala de certas pessoas que tinham uma grande fé. Um caso desses é o centurião (Mat. 8:10). Dessas falas de Jesus podemos perceber que enquanto outros tinham a fé autêntica, nem todos tinham uma grande fé. Assim, não imaginem que a fé tenha que se mostrarem todas as formas que descrevi, a fim de ser real.
Lembrem-se também, que a fé varia em vigor, até na mesma pessoa. As vezes a fé de alguém está forte e pode ser facilmente percebida; depois pode se tornar fraca e a incredulidade se torna mais forte.
Então, a fé se evidencia de muitos modos; mas o que está no âmago da fé verdadeira é o seguinte: estar contente e satisfeito com o plano da salvação de Deus, através de Jesus Cristo. Quando alguém está agradecido pela morte de Cristo no lugar dos pecadores (o que significa que Deus pode, em justiça, perdoar pecadores), então aquela pessoa tem a fé que salva pecadores. A fé salvadora significa desistir totalmente de pensar em conseguir o favor de Deus por meio das obras, e em lugar disso, descansar no que Cristo fez para tomar sobre Si o castigo devido ao pecador. Essa fé está em todos os que nasceram de novo - em todo o verdadeiro cristão -mesmo que não seja evidenciada por todas as maneiras sobre as quais falei.
Assim, o que devemos perguntar a nós mesmos é simplesmente o seguinte: estou satisfeito com o Senhor Jesus Cristo? Ele é aquele a quem dou mais valor do que a qualquer outra coisa? É precioso para mim, por ser o único caminho para Deus? Estar satisfeito com Jesus Cristo como aquele que carregou os nossos pecados e é o nosso único Salvador, é fé autêntica. Isso é crer com o coração. É estar satisfeito com o caminho de Deus para a salvação de pecadores através de Cristo; é concordar com o caminho de Deus para a salvação, e recebê-lo com alegria, através de Jesus Cristo. Deixem-me repetir, podemos saber se temos fé assim, pois não podemos ter dúvidas sobre isso se estamos descansando inteiramente em Jesus Cristo para nos levar a Deus, e se valorizamos o Senhor Jesus Cristo acima de todos e de tudo o mais. Aquele que crê desse modo não perecerá, mas terá "a vida eterna" (João 3:16).
Todavia, seria possível existir uma fé falsa que seja como a verdadeira e tão parecida que não podemos perceber a diferença? Ora, muitos admiram Jesus hoje, assim como muitos creram nEle quando viram os milagres que fez. Como poderemos distinguir essa falsa fé, fé simulada, da fé genuína, verdadeira?
Primeiro, a fé falsa nunca desiste totalmente da idéia de que podemos ajudar, ao menos um pouco, em nossa própria salvação do pecado. Fé falsa faz com que as pessoas perguntem, como o homem em Lucas 10:25: "que farei para herdar a vida eterna?" A falsa fé também quer apegar-se a outras coisas além de Cristo. Assim, a falsa fé nunca confia completamente em Cristo, e somente em Cristo.
Em segundo lugar, pessoas com falsa fé não querem que Cristo as dirija, ou faça a paz entre elas e Deus em todos os tempos, ou ensine-as e as guie. A falsa fé de fato não recebe a Cristo como rei, sacerdote e profeta.
Em terceiro lugar, a falsa fé não está pronta a seguir a Cristo pelas agruras, perdas e sofrimentos. A fé verdadeira quer somente a Cristo, não importa o que custe.
Explicarei depois outras diferenças entre a fé autêntica e a falsa. Por exemplo, somente a fé autêntica tem o efeito de purificar a vida interna da pessoa (Atos 15:9). Onde houver fé autêntica, sempre haverá também todas as virtudes espirituais (Gal. 5:22-23).

Amantes de si Mesmos.



Os efeitos de um ensino carnal no cristianismo geram grandes e terríveis erros. A Bíblia ensina que “Nos últimos dias sobrevirão dias difíceis, pois os homens serão egoístas (amantes de si mesmos), avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus...”.

Onde está o coração do homem, aí estão seus afetos também; e enquanto o coração do homem não for liberto do amor ao “EU”, então sua vida estará cheia dos demais pecados. Deus odeia a avareza e nos livra dela quando nos dá nova vida em Cristo Jesus. “E assim se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II Co 5.17)

A Palavra de Deus nos chama a uma vida de abnegação na qual devemos olhar para “coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.2). Portanto, visto que nosso Senhor estava tão contrário à avareza, advertiu muitas vezes a seus seguidores nos evangelhos contra o ser amantes de si mesmos. Devemos deixar nosso próprio caminho e o amor próprio. Agora, enquanto começamos a ver estas coisas nas Escrituras, decidir se um homem, cuja vida é controlada por este pecado, pode ser um verdadeiro filho de Deus. Não será mais uma alma enganada por este evangelho falso que ensina existir crente carnal?

Em Lucas 14.26 ouvimos o Senhor pronunciar estas palavras assombrosas: “Se alguém vem a mim e não aborrece a sua pai, e mão, e mulher, e filhos, e irmãos e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Sim, são palavras assombrosas, mas são palavras do Filho de Deus e Ele não pode mentir. Em outras palavras, ele está dizendo que quando uma pessoa O ama e O segue neste mundo mal, é como se aborrecesse a seu próprio pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs; e ainda a sua própria vida também. É a única ocasião em que Jesus fala dessa forma. Em Mateus 16.24-25 diz: “Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perdê-la por minha causa achá-la-á.” Ou seja, se procuro salvar a minha vida por não praticar a abnegação na fé cristã, vou perdê-la toda. Na verdade, não a tenho salvo, mas a perdi toda. Mas se perco a minha vida por amor de Cristo, e deixo de amar a mim mesmo, então a guardarei por toda a eternidade. Logo vemos em João 12.25: “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.” Bom, se segues acariciando-te e não te negas a ti mesmo, mas segues fazendo o que te convém para satisfazer aos desejos da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida, perderás essa vida que tens procurado salvar e amar; porém, o que aborrece sua vida neste mundo, para a vida eterna a guardará.

O que nosso Senhor está dizendo aqui é que não há nenhum lugar em seu reino para os “amantes de si mesmos”. Porque seu reino se compõe daqueles que O amam sobre tudo e negam-se a si mesmos. Novamente vemos que aquele que ama mais a sua vida que a Cristo perdê-la-á, mas o que aborrece sua vida neste mundo, preferindo o favor de Deus e mostrando mais interesse em Cristo que em sua própria vida guardá-la-á para a vida eterna.

Além disso, vemos nas Escrituras a conseqüência final de um amor excessivo por nossa vida, um amor excessivo por nosso “ego”. Muitos há que se enamoram demasiadamente de si mesmos e perdem suas vidas por causa desse amor. Aquele que ama sua vida animal ou suas paixões tanto que satisfaz seus apetites e alimenta seus desejos da carne, encurtará seus dias e perderá a vida que tanto estima; não herdará essa vida infinitamente melhor que é a vida eterna com Cristo em glória depois da morte. Aquele que está tão enamorado, tanto da vida deste corpo com seus ornamentos e deleites que até negaria a Cristo em vez de perdê-la, perdê-la-á; isto é, perderá uma felicidade no mundo vindouro, enquanto procura segurar-se numa vida imaginária neste mundo presente.

Este é o erro fatal deste falso evangelho do Cristianismo carnal que tem produzido este fruto de “amantes de si mesmos”, ou seja, o egoísmo. Sustentam que estamos vivendo em um século mais iluminado e conseqüentemente devemos amar-nos a nós mesmos, amar o dinheiro e o prazer. Não teria Cristo vindo ao mundo para dar-nos vida e vida em abundância? Não somos filhos do Rei e não devemos Ter melhor qualidade de vida? Sim, Jesus disse que veio para dar vida, e vida abundante (Jo 10.10), porém lembremos que Ele veio para dar vida espiritual a Seu povo, a qual é uma vida abundante, não se trata de uma vida de abundância material que só produz mais amor a nós mesmos e mais amor ao dinheiro e ao prazer e no fim a condenação de nossas almas. Se nossa alma está inclinada a estas coisas, nossas afeições são más devido ao pecado.

Esses são os argumentos de quem deseja continuar em seus pecados e deseja viver em dois reinos ao mesmo tempo: “O Senhor não quer que amemos ao nosso próximo? Como podemos amá-lo se não sabemos amar a nós mesmos? Não sabes que se não aprendermos a amar a nós mesmos corretamente não poderemos amar ao nosso próximo?” Não nos deixemos enganar por esse raciocínio carnal, mesmo que nos pareça merecedor de crédito, pois as Escrituras não ensinam isso. A razão pela qual as pessoas utilizam este argumento carnal e distorcem as palavras do nosso bendito Salvador em Mateus 22.34-40, entendendo-as num sentido errado, é que não desejam amar o próximo, mas que querem dedicar-se mais aos prazeres e deleites deste mundo. Isso vemos quando analisamos com sinceridade. Dessa maneira, entregam-se a viver num mundo onde eles mesmos é que mandam. As desculpas apresentadas são: “Tenho que amar-me, devo buscar minhas raízes. Necessito de mais auto-estima!” Crêem que necessitam de tudo isso, mas isso poderá levá-los à condenação. Têm uma forma de piedade, porém vivem para si mesmas.

Vejamos um exemplo bíblico de alguém que perdeu sua vida por Cristo, porém, na verdade a salvou. Estamos falando de Saulo de Tarso, que se converteu em Paulo, o cristão, um filho de Deus e missionário. Ele disse: “Eu tinha muito amor próprio, me estimava bastante e tinha confiança na carne, porém, quantas coisas eram para minha ganância [esse egoísmo, essa grande auto-estima e essa confiança na carne]. Tudo isso tenho considerado como perda por amor de Cristo. Certamente tenho tudo como perda pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor, por amor do qual tenho perdido tudo considerando todas as coisas como refugo para ganhar a Cristo e ser achado nEle, não tendo justiça própria que é pela lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus pela fé” (parafraseado – Fp 3.4-9).
Novamente Paulo diz em Romanos 7.9: “Outrora, sem a lei, eu vivia; mas sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri” – ao meu egoísmo, minha auto-estima e minha confiança na carne. A estima de Paulo era de que ele se tratava pecador que merecia o inferno, que estava debaixo da ira justa de Deus. Paulo manteve este conceito e postura de si mesmo até sua morte. Depois de sua conversão ele se referia a si mesmo como “o menor dos apóstolos” (I Co 15.9). “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça...” (Ef 3.8); ele se denominou o principal dos pecadores (I Tm 1.15); disse também: “...ainda que nada sou” (II Co12.11). Aqui não vemos nenhum egoísmo nem confiança na carne, porém aqui havia uma pessoa que havia aprendido da primeira bem-aventurança: “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.3). “Nada sou; não sou nada; de mim mesmo não posso fazer nada.” Desta forma o apóstolo se via ao crer na graça de Deus. Assim vemos a verdade de João 12.25, ilustrada em Paulo, que havia sido anteriormente Saulo de Tarso: “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.”

Tu amas a ti mesmo mais do que a Deus? Estimas-te ou te amas muito? Tens confiança na carne? Se é assim, o “ego” é o teu ídolo, e nenhum idólatra pode entrar no reino dos céus (I Co 6.9); devemos fugir da idolatria (I Co 10.14). Os verdadeiros filhos de Deus adoram a “Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3). “Amantes de si mesmos mais que de Deus” são fruto desse evangelho de um cristianismo carnal. Cristo disse que aquele que não negasse a si mesmo e não O seguisse não poderia ser Seu discípulo. O verdadeiro Evangelho da graça de Deus diz: “Bem-aventurados os humildes de espírito”, e o homem que é pobre de espírito sabe que não é nada, que não tem nada e não pode fazer nada sem a graça de Deus. Portanto, ele não ama sua própria vida, senão que a aborrece neste mundo para que a possa guardar por meio da graça de Deus, por toda a eternidade.

L. R. Shelton, Jr.

Soberania de Deus versus Teologia da Prosperidade







Por Paulo Romeiro


[Trecho do livro "Super Crentes: O evangelho segundo Kanneth Hagin,
Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade"]


A soberania de Deus é a doutrina que afirma que Deus é supremo, tanto em governo quanto em autoridade sobre todas as coisas. Nos círculos dos "ensinos da fé", ela não é levada muito a sério. Verbos como exigir, decretar, determinar, reivindicar freqüentemente substituem os verbos pedir, rogar, suplicar etc. Ao comentar João 14:13, 14, que diz: "E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma cousa em meu nome, eu o farei", Kenneth Hagin afirma:

A palavra "pedir" também significa "exigir". "E tudo quanto exigirdes em Meu nome, isso [Eu, Jesus] farei". Um exemplo disto é registrado no terceiro capítulo de Atos, quando Pedro e João estavam à Porta Formosa. Já demonstramos que Pedro sabia que tinha algo para dar quando disse ao aleijado: "Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou". Então Pedro disse: "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" Pediu, ou exigiu, que o homem se levantasse em nome de Jesus.¹
No Novo Testamento grego, o verbo "pedir", que aparece em João 14:13, 14 é aiteo. De acordo com W. E. Vine, aiteo sugere a atitude de um suplicante, uma petição de alguém que está em posição menor que a daquele a quem é feita a petição, como em Mateus 7:11 (uma criança pedindo a seu pai) e Atos 12:20 (vassalos fazendo um pedido ao rei). Este verbo aparece muitas vezes nas epístolas, como em Efésios 3:20; Colossenses 1:9, Tiago 1:5, 6; 1 João 5:14, 15. Em todas estas passagens seria impossível substituir o verbo "pedir" por "exigir".
Outro verbo usado no grego para pedir é erotao. Vine diz que o seu uso sugere que o suplicante está no mesmo pé de igualdade ou familiaridade com a pessoa a quem é feito o pedido. E usado, por exemplo, para um rei fazendo um pedido a um outro rei (Lucas 14:32). Vine continua:
...É significativo que o Senhor Jesus nunca usou aiteo no sentido de fazer um pedido ao Pai. "A consciência de sua igual dignidade, de sua intercessão potente e vitoriosa, é demonstrada nisto, que sempre que Ele pede, ou declara que Ele pedirá qualquer coisa ao Pai, sempre usa erotao, isto é, um pedido em termos de igualdade, João 14:16; 16:26; 17:9, 15, 20; e nunca aiteo".²
Em Atos 3 (citado por Hagin, acima), o paralítico era colocado diariamente à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola. Novamente, o verbo "pedir" desta passagem no grego do Novo Testamento é aiteo (v. 2). Estaria então o paralítico exigindo uma esmola das pessoas? Ora, esmola não se exige, pede-se, e com muita humildade.

Em seu livro, O Direito de Desfrutar Saúde, R. R. Soares declara:

Usar a frase "se for a Tua vontade" em oração pode parecer espiritual, e demonstrar atitude piedosa de quem é submisso à vontade do Senhor, mas além de não adiantar nada, destrói a própria oração.³
Qualquer pessoa que examinar com cuidado os Evangelhos, perceberá que a tônica da vida e do ministério do Senhor Jesus era fazer a vontade do Pai. Examine, por exemplo, João 4:34; 5:30; 6:38; 7:17. Quando ensinou seus discípulos a orar, Jesus incluiu na oração: "Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu". Será que Jesus estava errado? A conclusão óbvia é que não. Não tenho qualquer problema em dizer, ao orar: "se for a tua vontade", pois isto me coloca em boa companhia. Jesus orou assim no Getsêmani: "Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres" (Marcos 14:36). E novamente: "Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (Mateus 26:42). João escreveu ainda: "se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve" (1 João 5:14).
***
Fonte: Púlpito Cristão


Notas:

1. Kenneth E. Hagin, O Nome de Jesus. Rio de Janeiro: Graça Editorial, 1988, p. 70.
2. W. E. Vine, An Expository Dictionary of Biblical Words. Nashville, Tennessee, EUA: Thomas Nelson, 1984, segunda parte, p. 71.
3. R. R. Soares, O Direito de Desfrutar Saúde. Rio de Janeiro: Graça Editorial, p. 11.
Tudo em Cristo me deixa perplexo. Seu espírito me intimida, e sua vontade me confunde. Entre ele e qualquer outra pessoa do mundo, não existe termo possível de comparação. Ele é verdadeiramente um ser por si mesmo [...] Procuro em vão na história encontrar o semelhante a Jesus Cristo, ou qualquer coisa que se possa aproximar do evangelho. Nem a história, nem a humanidade, nem os séculos, nem a natureza me oferecem qualquer coisa com a qual possa compará-lo ou explicá-lo. Aqui tudo é extraordinário.
Napoleão

Josué Cláudio Araújo. Tecnologia do Blogger.
 

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