A Graça genuína







Quando surgirá uma geração que amará tanto a Jesus, e que a Ele será tão grata, que exercerá a justiça com mais compromisso do que os escribas e fariseus?

De fato, os cristãos que dizem ter entendido o dom segundo a Graça, deveriam ser os mais generosos, hospitaleiros, bondosos, e aptos para contribuir em tudo.

Será que nós não podemos nos oferecer a Deus e à vida como sendo essa geração?

A geração que doou por amor, que contribuiu por puro privilégio, que se entregou com gratidão, e foi fiel apenas por amor?

Ou será que precisamos de medos e ameaças a fim de nos mobilizarmos para aquilo que é bom?

Não te deixes vencer do mal—e nem estimular pelo medo—, mas vence o mal e o medo com o bem e a gratidão!

A Graça que não nos põe no caminho das boas obras que foram de ante-mão preparadas para que andássemos nelas, ainda não é Graça pela, mas apenas um alívio em relação à neurose da lei.

A Graça genuína não se justifica por obras, mas mediante a fé; porém, produz obras assim como a vida produz vida.

No dia que entendermos e praticarmos isso alegre e fielmente Deus gargalhará de alegria!

Tudo na verdade cabe no vazio do silêncio








“Tudo na verdade cabe no vazio do silêncio. Eu não ouviria a minha própria voz se não houvesse o silêncio para acolhê-la. O silêncio não é a ausência de ruídos, é essa vacuidade que permite ouvir aquilo que precisa ser ouvido com mais atenção - Sônia Café” ... o silêncio é apenas o que não conseguimos ouvir; os sons e os ruídos estão permanentemente presentes onde há vida. A morada do silêncio não é aqui onde estamos, está onde o vácuo se faz presente.

Deus sempre estar falando no silencio, poucos tem ouvido sua voz, assim como Jesus tinha seus momentos de solidão e silencio no deserto, nos também precisamos desses momentos para poder continuar na caminhada da vida entendendo as respostas da vida.

Cuidado!!!







Cuidado! Aqueles que se acham no direito de julgar aqueles que não pertencem aos círculos religioso vocês  terão grandes surpresas no ultimo dia...

"E Jesus dirá:

Vinde Benditos de meu Pai !! Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e 
me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:35-40)

Jesus estar nas favelas, abrigos, hospitais, orfanatos, asilos, enquanto isso você fica julgando quem tem uma opção sexual diferente, quem bebe uma cerveja, julga quem não anda segundo o padrão institucional da dita “igreja” meu conselho e que voltemos ao evangelho puro e simples de Jesus.

Josué Araujo



A terra havia sido linda
até que o espírito do homem se moveu sobre a sua face
e destruiu todas as coisas.

E disse o homem - que haja trevas.
E ao homem pareceram boas as trevas,
e deu a elas o nome de Segurança;
e dividiu a si mesmo em raças e religiões e classes sociais.
E não havia nenhum entardecer e nenhum amanhecer
no sétimo dia antes do final.

E disse o homem - que haja um governo forte
para reinar sobre nós em nossas trevas...
que haja exércitos para matarem-se mutuamente
com ordem e eficiência em nossas trevas;
cacemos para destruí-los a aqueles que nos dizem a verdade,
aqui até os confins da terra,
porque gostamos de nossas trevas.
E não havia nenhum entardecer e nenhum amanhecer
no sexto dia antes do final.

E disse o homem - que haja foguetes e bombas
para matar mais rápido e facilmente.
E houve câmaras de gás e fornos
para terminar melhor o trabalho.
E era o quinto dia antes do final.

E disse o homem - que haja drogas e outras maneiras de escapismo;
já que há uma leve e constante moléstia - a Realidade -
que estorva nossa comodidade.
E era o quarto dia antes do final.

E disse o homem - que haja divisões entre as nações
para que possamos saber
quem é nosso inimigo.
E era o terceiro dia antes do final.

E por fim disse o homem -
façamos Deus à nossa imagem e semelhança,
de modo que nenhum outro deus nos faça concorrência.
Proclamemos que Deus pensa assim como nós pensamos
e que odeia assim como odiamos,
e que mata como nós matamos.
E era o segundo dia antes do final.

No último dia
houve um grande estrondo sobre a face da terra;
o fogo queimou o lindo globo terrestre,
e houve silêncio.

E viu o Senhor Deus
tudo o que havia feito o homem.

E no silêncio
que envolvia os restos fumegantes,
Deus chorou.

(Contra Gênesis - Autor Desconhecido)

Profetismo -- item esquecido da missão integral



Robinson Cavalcanti
A missão integral da Igreja não é uma corrente teológica contemporânea, mas a explicitação do conteúdo da missão, conforme o exemplo e o ensino de Jesus Cristo. Ao longo da história, aspectos dessa missão têm sido sub ou superenfatizados. A Igreja legitima a própria existência como agência missionária na totalidade da missão a ela confiada, na diversidade de dons e vocações dos integrantes e nas possibilidades e oportunidades de cada conjuntura. A missão integral inclui cinco itens: evangelismo (“kerigma”), comunhão (“koinonia”), ensino (“diakonia”), serviço e profetismo (estes na “diakonia”). Denominados “avenidas da missão” pela Conferência de Lambeth de 1988 dos bispos anglicanos, eles são assim definidos: 1) proclamar o evangelho do reino de Deus; 2) batizar e integrar os convertidos a uma comunidade de fé; 3) ensinar todo o conselho de Deus; 4) despertar no coração dos fiéis respostas de misericórdia às necessidades humanas; 5) denunciar as estruturas iníquas da sociedade, defender a vida e a integridade da criação. A missão integral foi esquartejada contemporaneamente pela polarização entre o “evangelho individual” e o “evangelho social” e seus derivativos, como o fundamentalismo e a teologia da libertação. O Brasil foi, depois, afetado por essa polarização parcializante e mutilante.

Conservadores não têm problema com o evangelismo, a integração a uma igreja ou o ensino. Porém, nem sempre estiveram livres do reducionismo de uma “graça barata”, do sectarismo ou de ensinos de escassa (ou nenhuma) base bíblica. Alguns aceitam a necessidade do serviço como “isca” para o evangelismo ou como forma opcional e bondosa de “caridade”, enquanto outros pensam que a responsabilidade social é do governo ou que os problemas sociais decorrem apenas de pecados individuais, e a conversão é o que interessa. A dimensão profética é ignorada ou negada, seja pelo pessimismo escatológico pré-milenista e pré-tribulacionista, seja pelo adesismo acrítico aos sistemas políticos e econômicos (“obedecer às autoridades”), seja pela sacralização destes sistemas pela “civilização ocidental” ou pelo destino manifesto de um país “escolhido” como ensaio da nova humanidade. Liberais tendem a não se envolver com o evangelismo, visto pejorativamente como “proselitismo”, além de desnecessário para uma soteriologia universalista (todos salvos) em que o batismo e a vinculação à Igreja são algo bom, mas opcional, pois “Jesus veio para trazer o reino e não para criar a Igreja”. Para eles, esta é uma instituição transitória, e o ensino deve ser plural e especulativo, pois a Bíblia é uma literatura religiosa humana plena de erros e a verdade revelada absoluta não existe; ensiná-la é fomentar alienação, intolerância, misoginia, sexismo e homofobia. Quanto ao serviço, alguns o acham necessário enquanto uma sociedade utópica não virar tópica, e outros o combatem por ser um mero paliativo alienante, obstáculo às reformas estruturais necessárias. A missão se reduz ao profetismo sempre atrelado a uma ideologia secular, como foi, por um tempo, o nazismo ou o marxismo.

O evangelicalismo, que tem procurado resgatar a integralidade da missão em todas as dimensões, deságua no Movimento de Lausanne e tem expressões regionais, como a Fraternidade Teológica Latinoamericana (FTL). O Pacto de Lausanne ou a Declaração de Jarabacoa, da FTL, sobre a responsabilidade política dos cristãos, são documentos sólidos relativos ao que os católicos romanos chamam de “doutrina social da Igreja” e os protestantes, de “pensamento social cristão”. Na prática, porém, evangelismo, comunhão e ensino formam a “missão quase integral” -- tanto nacional quanto importada, com o serviço extremamente débil (“boas obras é negócio para católico querendo escapar do purgatório ou de espírita querendo uma melhor reencarnação”) --, não considerada como evidência necessária e desdobramento da salvação (“para que nelas andássemos”). O profetismo é algo ausente do que se crê, do que se ensina e do que se pratica. Se as utopias seculares “foram para o espaço”, “levando de roldão” a esquerda teológica -- hoje relativista, cética ou mística, acendendo incenso ou abraçando árvores --, a direita teológica ainda a vê como “coisa de comunista” e afirma que não adianta fazer nada, pois o mundo vai de mal a pior e, já que as pessoas vão mesmo ferver no inferno, é bom que comecem ensaiando neste mundo. A defesa da integridade da criação (ecoteologia) divide os cristãos quanto à consciência e à atitude, bem como a defesa da vida no tocante ao aborto, à eutanásia, à tortura e às desigualdades sociais. Isso porque, para além de meras opções individuais, ou algo histórico e cultural, elas decorrem de políticas públicas, decididas por governantes concretos, seus partidos, programas e ideologias, que representam interesses econômicos.

Os cristãos não querem sair da zona de conforto, se engajar, se libertar da imprensa manipuladora, lançar mão das ferramentas das ciências sociais, se chocar com os donos do poder (aliados na troca clientelística de interesses), ou porque os “filhos do rei” querem integrar o “andar de cima” (sinal da bênção da prosperidade), e essa coisa de ética e “denunciar as estruturas iníquas da sociedade” pode resultar em perda de emprego, cadeia ou perda de vida (esse negócio de martírio...).

“A tarefa da Igreja é uma só: mudar o mundo” (Charles Finney).


Texto publicado na edição 335 da revista Ultimato (março-abril)

A CURTA VIAGEM ENTRE UM CRISTÃO E UM FARISEU



Às vezes pensamos que o que separa um jovem cristão de um fariseu é uma grande distância. Quando eu era mais jovem, durante a revolução dos costumes ocorrida na década de 60, pensava que havia duas coisas que me separavam de um fariseu. A primeira era o próprio fato de eu ser jovem e liberado. A segunda, o fato de eu pertencer àquela geração que transtornou os costumes moralistas ensinados durante séculos. No entanto, mesmo antes de eu encontrar Jesus, lá mesmo onde eu estava, em meio aos hippies e liberados rapazes e moças daquela geração, a hipocrisia podia ser encontrada. Depois que me tornei cristão, logo percebi que o farisaísmo não tem idade: ele se esconde em qualquer lugar, e, muitas vezes, com mais facilidade ainda sob as vestimentas religiosas.

Jesus advertiu os seus discípulos de que a condenação do fariseu não tinha paralelo entre os demais pecadores daqueles dias. As prostitutas, os publicanos, os pervertidos e os demais párias daquela sociedade – com os quais Jesus estava em permanente contato – jamais receberam tão intensas ameaças de severo juízo quanto os fariseus. Com essa afirmação eu não estou dizendo que eles não eram também passíveis de juízo, pelos seus próprios pecados. O que estou dizendo é que para Jesus, os pecados deles eram pecados mais “verdadeiros”. Nem por isso eles deixaram de estar sob o crivo do juízo de Deus; porém, com muito menor rigor, nos graus da condenação, do que o que estava prometido para o falso religioso.

Jesus disse que “por fora” os fariseus eram perfeitos; todavia, o interior era um lixo. O Senhor disse que era como alguém que só lava o prato de comida por fora e que é capaz de comer no mesmo prato sujo, a vida toda (você pode se imaginar comendo no mesmo prato sujo a vida inteira? Você pode se imaginar bebendo água num copo sujo por toda a sua vida?). E ainda: que eles eram como sepulcros pintados de branco – mostrando beleza enquanto a podridão acontecia do “lado de dentro”. Isso significa que é bastante possível que as pessoas se escondam sob as vestes religiosas para mascararem seus reais valores interiores. Muita gente, e mesmo jovens, se esconde sob o disfarce religioso a fim de pecar com mais “segurança”.

Psicologicamente falando, esse fenômeno de se esconder embaixo das vestes religiosas para pecar com mais profundidade não é totalmente estranho. Aliás, o melhor lugar para esconder nossa própria maldade é a igreja. Nós que somos membros da igreja devemos sempre ter a coragem de perguntar o que significa nossa presença no ajuntamento do povo de Deus. Isso porque na igreja há sempre dois tipos de pessoas: aquelas que escondem sua própria maldade e dureza interior sob o disfarce da fé e da moralidade, e aquelas que se conhecem como pecadoras e que escondem a si mesmas sob o sangue de Jesus. O primeiro grupo esconde a sua maldade. O segundo grupo esconde a si mesmo enquanto confessa a sua própria culpa.

A questão é: como pode isso se desenvolver? Eu ouso afirmar que o problema está nos nossos padrões de espiritualidade, os quais muitas vezes são falsos. Por isso, quando alguém está tentado a pecar, está também, automaticamente, tentado a esconder sua tentação sob o disfarce do radicalismo comportamental. Dessa forma, quase sempre os cristãos, antes de caírem numa tentação, caem em uma outra: a tentação de aparentarem uma vida que está para além da possibilidade do pecado. Obviamente ninguém fica mais vulnerável ao pecado do que aquele que não admite sua própria vulnerabilidade.

Acontece que isso é um círculo vicioso. Primeiro, a pessoa é tentada. Depois ela sente a obrigação de mascarar essa realidade. Ora, quando isso acontece essa pessoa está se condicionando psicologicamente para se tornar um hipócrita.

E que é o hipócrita, senão aquele que não assume o que é e aquilo contra o que luta? E quem consegue viver a vida inteira escondendo de si mesmo e dos irmãos as suas fraquezas sem que, de um modo ou de outro, acabe caindo diante daquilo que ele nega como sendo sua própria sedução?  Daí, a inferência de que quanto mais “espiritual” for o ajuntamento cristão, mais propício ao pecado ele será. Justamente aqui nós estamos diante de um grande paradoxo cristão: bem-aventurados sejam os fracos, os mansos e aqueles que são capazes de chorar. Somente depois é que se fala dos limpos de coração. Só é limpo de coração quem limpa o coração diante de Deus e dos irmãos, mediante frequentes confissões de carência humana. Não existe tal pessoa limpa de coração que seja solitária e incapaz de constantes revisões de vida. Não existe ninguém permanentemente limpo de coração. Existem apenas aqueles que se deixam limpar mediante a confissão e a sinceridade de uma vida que não tem medo de ser suficientemente humana para confessar tendências em vez de assumir um outro lado de sua humanidade: o pervertido lado de sua humanidade-inumana, que prefere esconder tendências e viver pecados.

Quando esse tipo de comportamento se desenvolve, o que acontece é que a tendência da pessoa é assumir cada vez mais a “santidade” publicamente, a fim de compensar suas incoerências vividas nos bastidores. Daí que pessoalmente eu me impressiono muito mal com pessoas cuja ênfase na santidade me soe um tanto extravagante. Para mim, na maioria das vezes esse comportamento esconde um conflito interior justamente naquela área que se tornou um obsessivo discurso. Pessoas equilibradas tendem a falar de tudo, ao invés de se tornarem obcecadas por um discurso só. E mesmo quando alguém tem uma ênfase pessoal e particular na vida, se essa pessoa é saudável tal ênfase será vivida sem nenhum espírito de cobrança para com aqueles que não conseguem viver a vida com o mesmo peso, naquela área. Ora, tudo isso me leva a afirmar que muito daquilo que temos chamado de “consagração” na vida cristã possivelmente não passe de um atestado de nossa própria conflitividade não confessada e não assumida.

O que complica bastante a situação daquele que assim se comporta é o fato de que quando alguém vive com tal capacidade de se disfarçar, isso pode significar que ela está desenvolvendo uma profunda maldade em sua própria alma: a maldade de ser tão mal, que tenta enganar a todos sob a máscara da bondade. Vale lembrar que para Jesus esse era o mal maior na vida, o mal dos fariseus, o mal dos religiosos, o mal dos falsos profetas, daqueles que se mostram ovelhas mas que de fato são lobos.

Nós que somos pessoas da igreja precisamos urgentemente aprender que a maior mentira que se comete na vida não é aquela que se diz, mas aquela com a qual se vive. Precisamos recuperar o senso de “intimidade” e de “interioridade” das verdades do Evangelho. Temos que pedir a Deus que nos liberte das falsas e malignas noções de espiritualidade. É urgente que reassumamos nossa herança Reformada, a qual afirma nossa impossibilidade inerente para a bondade absoluta, e nos remete humildes e dependentes para a graça de Deus. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos pessoas muito más. Aliás, a História está repleta de testemunhos dessa nossa capacidade de nos tornarmos mais maus do que os mais maus.

Este mal vem justamente da nossa relação com o Sagrado. Nada é mais intenso que aquilo que é divino. Quando alguém mantém uma sadia relação com o Sagrado, tal pessoa torna-se santa e bonita. De outro lado, quando a relação com o Sagrado acontece desde uma perspectiva de orgulho, autossuficiência e hipocrisia, então nada faz adoecer mais do que essa versão religiosa da maldade. Daí que Lúcifer tornou-se mau na exata proporção de sua anterior virtude. Assim, onde abundou a graça, superabundou o pecado. Nós temos afirmado esse princípio apenas na dimensão paulina: “onde abundou o pecado superabundou a graça”. Todavia, Pedro coloca a mesma verdade desde uma outra referência histórica: “o seu estado se torna pior do que primeiro”. Ou ainda: “melhor lhes fora jamais terem conhecido o caminho da verdade do que, após o terem conhecido, o abandonarem”.

Certa vez C. S. Lewis disse que o pior diabo é aquele que nós pensamos que não existe. Eu ouso, respeitosamente, contrariar esse que foi um dos maiores pensadores cristãos de todos os tempos, para dizer que, para mim, o pior diabo é aquele ao qual nós nos “acostumamos”. Isso porque quando alguém não sabe ou não crê que o diabo existe, está menos exposto à total força do diabo, pelo simples fato de “sinceramente” não crer ou não admitir a existência dele. Há um grande poder espiritual na verdade, mesmo que aquele que a demonstre seja um ateu. Todavia, quando alguém sabe que o mal existe como mal real e objetivo, mas a despeito disso vive em cínica indiferença para com esse poder, tal pessoa não se torna apenas vulnerável ao mal, mas se torna, ela mesma, parte da própria realidade do mal. Ninguém é mais maligno do que aquele que consegue se tornar indiferente ao poder do mal enquanto admite a sua existência. Gente assim vive uma espécie de “crente-descrença” no poder do mal. Ora, é simples inferir que é mais fácil achar gente assim domingo de manhã na igreja, do que num laboratório de ateus confessos. É mais fácil achar esses jovens cantando com as mãos levantadas num culto animado, do que nas praças. Aqueles que estão vivendo sua alienação de Deus e do diabo muitas vezes fazem isso em absoluta ignorância; mas muitos dos que lotam nossos templos cristãos e nossas reuniões são do tipo de gente que consegue “levantar as mãos ao Senhor” e depois, mesmo contra a Palavra do Senhor que eles conhecem, ser capaz de levar uma irmãzinha, companheira de louvor, “para a cama”.

Eu sei que para muita gente as afirmações que tenho feito podem soar excessivamente fortes. No entanto, não tenho o menor temor de estar equivocado a esse respeito. Tenho a própria história bíblica e a história da Igreja para confirmarem tais declarações. E além disso, é só olhar em volta para se constatar que há uma grande abundância de testemunhos contemporâneos corroborando o que estou dizendo.

Tudo o que eu disse até aqui tem a finalidade de estimular você, que deseja andar com Jesus, a coerentemente tomar a cruz e segui-lo. Não é fácil assumir as dores que vêm como resultado de uma vida sincera. É duro, o preço da verdade. Mas é a única forma de andar com Deus. É preciso ter “coragem de ser diferente”. Não diferente apenas mediante uma postura de “fachada”. É preciso ser diferente desde o coração. Só assim se edifica um “compromisso capaz de fazer diferença”.

Faz quinze anos que eu venho andando com Jesus e fazendo todo o possível para, no dia a dia, não me esquecer dessas verdades a respeito das quais acabei de escrever. Mas uma coisa tem me ajudado muito, nesses anos: a lembrança de que eu não tenho que ser, para ninguém, qualquer coisa além daquilo que Deus sabe que eu sou. Isso me ajuda a não ter medo de ser gente. Todavia, essa mesma verdade me ajuda a ser aquilo que, na graça de Deus, eu devo ser na minha “identificação gradual na História”. E quando me sinto tentado a pensar diferente, eu me lembro que os felizes, do ponto de vista de Jesus, são os que têm coragem de chorar, os mansos, os que têm fome e sede de justiça – ou seja, os que querem mais –, os misericordiosos, os que se purificam na graça de Deus, os que vivem para construir pontes entre os separados pelo ódio, e os que assumem a perseguição como o resultado mais natural da sua relação com Jesus, aquele que por viver tão diferentemente dos padrões vigentes, sofreu o preço de uma existência capaz de ser radicalmente relevante; aquele que mostrava seu brilho pessoal a poucos (transfiguração), mas que não teve vergonha de mostrar sua dor e verdade humanas a todos, na cruz.

Somente vivendo com essa compreensão evitaremos a terrível realidade de nos tornarmos hoje os fariseus que Jesus repudiou ontem. Como você viu, não há muita distância entre um jovem e um fariseu bem apessoado. Cabe a você jamais chegar lá.

Rev. CAIO FÁBIO D’ARAÚJO FILHO

*Texto publicado na revista do congresso Geração 90 (MPC) – Brasília, 1990.
Contribuição de Jefferson Santos Soares e Néjea Madruga

Amor ao Dinheiro


O CONVITE DA LOUCURA



A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café
em sua casa.

Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

-Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e
vocês se escondem.

Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a 
ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. 
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na
copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois
 não encontrava um local apropriado para se esconder.
 A Inveja acompanhou o Triunfo e se 
escondeu perto dele debaixo de uma pedra.
 A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam
 se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura
 já estava no noventa e nove.

- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava 
mais querendo saber quem seria
o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida 
em cima de uma cerca sem 
saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. 
E assim foram aparecendo a Alegria,
a Tristeza, a Timidez...

Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: 
- Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo. 
Procurou em cima da montanha, 
nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer.

Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira,
 pegou um pauzinho e começou
a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. 
Era o Amor, gritando por ter furado
o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer. 
Pediu desculpas, implorou pelo perdão 
do Amor e até prometeu segui-lo para sempre.
 O Amor aceitou as desculpas.

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre!

Aqui acaba a estória e começa a realidade...digo eu: Caio!

E quem não agüenta a companhia da Loucura para conhecer o Amor?

A Segurança não entrou na brincadeira, mas morreu uma velha muito
 séria.

Depois de um tempo já tinha gente procurando a Loucura para ver
 se encontrava o Amor.

O problema é que o Amor não é mais achável...nem se alguém achar
 a Loucura.

Como ele é cego...não procura ninguém, mas quando encontra...
a Loucura não deixa ele sair.

Assim, o Amor se machuca sempre que brinca...

E aquele que o seguir pode até caminhar cego...mas não deseja 
outra companhia.

Loucura?

Cada amor tem sua loucura...mas nem toda loucura tem seu amor!

Caio

Big Brother: A vigilância sem trégua do espetáculo


Paulo Brabo - A Bacia das Almas

Uma das primeiras e mais fundamentadas críticas articuladas contra o capitalismo foi que, em nome da eficiência, ele separava os trabalhadores do produto do seu trabalho. Pela primeira vez na história acontecia de trabalhadores livres encontrarem-se alienados em larga escala do esforço produtivo das suas mãos. Graças à curiosa mágica do capitalismo, você podia trabalhar a vida inteira numa linha de montagem sem chegar a ter um Fiat na garagem; podia trabalhar numa agência de viagens sem chegar a deixar o país.

Estamos ainda aprendendo a sobreviver às seqüelas dessa alienação. Muitos críticos sensatos sugerem que a separação entre o trabalhador e fruto do seu trabalho criou uma forma incapacitadora de castração mental: sob o capitalismo, o operário abre deliberadamente mão do privilégio fundamental de autocondução da vida; vende a primogenitura da liberdade pela segurança da benção do sistema. O que o operário vende é o seu trabalho (e portanto sua vida) à máquina capitalista, renunciando dessa forma a privilégios de autodeterminação de que ainda desfrutam, em alguma escala, trabalhadores rurais, artesãos, mendigos, militares, artistas, pescadores e professores.
O problema essencial dessa concessão é que ela abre espaço para inúmeras outras. O capitalismo acaba separando não apenas o trabalhador do fruto do seu trabalho: separa também o consumo das necessidades. O consumidor capitalista não consome porque precisa ou mesmo porque quer: sua vida de consumo subsiste inteiramente à parte das suas verdadeiras necessidades, quaisquer que sejam, com as quais ele perdeu todo o contato.

O primeiro passo abre precedente para o segundo: sob o capitalismo o trabalhador não abre mão apenas de (1) o trabalho das suas próprias mãos, mas também de (2) determinar quais sejam as suas próprias necessidades. O sistema fechado que o protege e sustenta deixará muito claro aquilo que ele deve consumir e desejar. Veja esta torradeira, este laptop, este iogurte. Agora com nova embalagem. Você sabe que quer um igual – o sistema alimentou-o direitinho. Resistir é inútil.
* * *
A questão mais recente e por certo mais grave é no entanto outra. Até recentemente restava ao trabalhador capitalista vestígios de autodeterminação na maneira como ele decidia conduzir a sua vida social e utilizar o seu tempo livre. Essas brechas possibilitavam alguma liberdade e espaço para desintoxicação. Mesmo que tivesse de se dobrar à máquina 8 horas por dia, cinco dias por semana, sobrava ao operário o resto da vida, – preciosíssimo nicho dentro do qual ele podia recuperar o espectro total do potencial humano através da prática criativa.
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO É O MOMENTO EM QUE O CONSUMO CONQUISTOU A OCUPAÇÃO TOTAL DA VIDA SOCIAL.
Isso foi antes que a sociedade capitalista fosse inteiramente engolida pela onipresença do espetáculo – e entenda-se como espetáculo tudo que, não sendo trabalho, também não é vida social ou prática criativa: cinema, TV, esportes e shows pela TV, teatro, conteúdo da internet, jogos de computador, noticiários, shows de música, documentários, apresentações de powerpoint, desenhos animados, jornais, Reality TV, revistas, CDs de música, DVDs, programas de calouros, de perguntas e respostas, trailers, pornografia, videocassetadas, rádio, filmes da internet, arquivos mp3, cartuns, histórias em quadrinhos, animações da internet – e, muito mais freqüentemente do que uma vez já foi, também formaturas, bailes, festas, cultos, missas e cerimônias de casamento.

Vivemos o que a Escola de Frankfurt (Horkheimer e Adorno em 1972; Marcuse em 1964), chama de sociedade “totalmente administrada” ou “unidimensional”. Ou, segundo Guy Debord: “A sociedade do espetáculo é o momento em que o consumo conquistou a ocupação total da vida social”. E este, senhoras e senhores, é um dos conceitos mais fundamentais do nosso tempo.

“Essa transição estrutural para uma sociedade do espetáculo envolve a transformação em mercadoria de setores previamente não-colonizados da vida social, e a extensão do controle burocrático aos domínios do lazer, do desejo e da vida cotidiana”
(Douglas Kellner: Media Culture and the Triumph of the Spectacle).


A diferença entre ontem e hoje está em que nossos hobbies e nossa vida social éramos nós mesmos que definíamos; o espetáculo sem trégua da TV/internet nós consumimos de forma inerte e – eis a pegada – o tempo todo. Da Copa do Mundo ao Big Brother ao novo Super-Homem aos canais da TV fechada ao cartum da internet ao culto dominical à formatura de judô da Mariana – só nos resta tempo livre para o espetáculo.

E como é a aplicação do tempo livre que determina o que somos (ou sentimos que somos), não nos resta autodeterminação alguma. Não restamos. Somos recortes de papelão numa sociedade unidimensional.
* * *
É a absolutização da política do pão e circo: enquanto está consumindo o espetáculo você não representa ameaça alguma. E não corre o risco de descobrir quem é.

“Para Debord, o espetáculo é uma ferramenta de pacificação e de despolitização; é uma ‘guerra do ópio permanente’, que estupidifica os agentes sociais e distrai-os da tarefa mais urgente da vida real. O conceito de Debord de espetáculo está intimamente relacionado aos conceitos de separação e passividade, pois em espetáculos consumidos passivamente o espectador é alienado de produzir ativamente a sua própria vida”
(Douglas Kellner: Media Culture and the Triumph of the Spectacle).


Na novela 1984 George Orwell imagina uma sociedade inteiramente subjugada por um governo burocrático e totalitário: todas as casas e aposentos são monitorados por câmeras ocultas de vídeo, e o mundo tem suas iniciativas esmagadas pela vigilância eterna do Grande Irmão (Big Brother).

Orwell, embora se julgasse pessimista, nos superestimou. A realidade é muitas vezes menos inteligente e certamente mais incrível. Nossa sociedade é absolutamente controlada e inofensiva, não porque o Big Brother nos vigia o tempo todo, mas porque assistimos o tempo todo ao Big Brother.

ESTA É A MINHA IGREJA. VOCÊ QUER SER PARTE DELA?




Quando Jesus disse que o “reino de Deus” ou o “reino dos céus” seria semelhante a [...] uma semente pequena que cresceria; ou como um fermento imperceptivelmente penetrante; ou como um tesouro escondido no campo; ou como uma pérola de grande valor, porém não disponível aos sentidos de todos; ou como uma candeia que iluminaria a todos os que estivessem na casa; ou ainda como o sal da terra — Ele apresentava, também, ao assim dizer, o paradigma do que a Igreja [a Dele] deveria ser como expressão visível do reino de Deus na comunidade humana.

Desse modo, as ênfases de Jesus são aquelas ligadas ao pequeno que cresce naturalmente a fim de acolher... [semente/árvore]; ao que tem como poder a pervasividade discreta [fermento]; a um valor indizível e que é conhecido apenas por quem o venha a conhecer em seu real significado [a pérola]; a uma riqueza escondida dos olhos de todos, e que não é objeto de propaganda [o tesouro oculto]; a uma luz para os da casa [a candeia; que ilumina a muitos se aumentarem as casas com sua luz no interior]; e à qualidade de gosto da presença dos discípulos, com poder de dar gosto divino onde estejam [o sal da terra].

Ora, em nenhuma dessas coisas a ênfase está na grandeza, na publicidade, na promoção ou na propaganda!

Ao contrário, a ênfase está na naturalidade do crescer, na pervasividade e na penetração decorrente de ser, no significado intrínseco da coisa em si, na sobriedade oculta de tal poder, que fascina por não ser massificado; na iluminação de grupos pequenos, como numa casa, e que altera primeiro os de dentro, e, aumentando o número de casas/povo iluminados, se faz visível ao mundo; e, sobretudo, a ênfase recai na qualidade essencial da natureza existencial dos discípulos, os quais, à semelhança do sal, podem dar sabor à vida dos que os cerquem, pelo fato de que eles têm tal gosto/sabor/qualidade em si mesmos.

Agora, compare isto com os modelos de “igreja”. Sim; com a ênfase na propaganda, no mercado, nos nichos, na promoção, no show da fé, na massificação sem rosto, no crescimento quantitativo, na artificialidade dos modelos de crescimento piramidal; ou ainda: compare com a venda do “Evangelho” como produto de salvação; sempre para fora; sempre para o mercado; sempre segundo a Coca-Cola, ou a Pepsi, e nunca segundo Jesus; o Qual, entre nós, fazia tudo com discrição, sem o afã das promoções; e que mais que frequentemente, pedia que Dele não se fizesse propaganda, ou que se O expusesse à publicidade; posto que Seu modus operandi cumprisse a profecia que dizia: Nas praças [Ele] não fará ouvir a Sua voz!

O que isto significa? Que não se pode fazer propaganda de Jesus?

Sim; significa isto mesmo!

O Jesus propaganda é o Jesus do Mercado; é o Jesus do Bazar; é o Jesus da Venda; é o Jesus do Mundo!

Na realidade se diz que “a fama de Jesus corria por toda parte” e que “as multidões vinham ouvi-Lo de todos os lugares”.

Todavia, isso acontecia porque acontecia; porque era verdade; porque não se consegue esconder a luz; porque se o sal for jogado na terra nota-se a diferença pelo sabor; porque se a semente virar árvore as aves dos céus a encontram com naturalidade; porque o achar da “pérola de grande valor” faz aquele que a acha sair alegre com tal descoberta; porque o “tesouro escondido no campo”, uma vez que nele se tropece, faz o achador vender tudo e comprar o campo, a qualquer custo ou preço, tornando qualquer esforço apenas um ganho, uma alegria!...

Assim deveria crescer o “reino de Deus” entre os homens; e assim deveria ser com a Igreja dos discípulos de Jesus como expressão do “reino de Deus” na História.

Ora, isto faz sentido com a lógica de Jesus em tudo; embora difira radicalmente das lógicas humanas!

Sim; pois foi Jesus Quem disse que o grão de trigo tem que morrer a fim de dar muito fruto; que aquele que busca se salvar, perde-se; que aquele que morre, vive; que aquele que se humilha, será exaltado; e que é o pequeno que se faz grande!

O problema é que desde os apóstolos [...] pensar diferente sempre foi uma tentação. Tiago mesmo se vangloriava de ter “milhares e milhares com ele em Jerusalém”, e também que um grande número de sacerdotes do judaísmo [...] eram cristãos “zelosos da Lei de Moisés”.

Paulo parece ser o exemplo a ser seguido entre os apóstolos como aquele que não desistiu jamais do paradigma de Jesus; sem surtos de tomadas de cidades; sem querer erguer nada no Areópago; sem pretender nada além de ir plantado sementes de igreja nas casas; sem buscar conluio com autoridades das sinagogas; sem falsas expectativas —; enquanto, assim procedendo, em nenhum outro tempo apostólico [...] as coisas geravam mais bulício, produziam mais impacto nas cidades, alvoroçavam mais o mundo!

A Igreja que revolucionou o 1º e o 2º Séculos foi a de Paulo, não a de Tiago, a qual tinha Jerusalém como modelo!

Do 4º Século em diante, todavia, houve uma fusão do modelo de Jerusalém [o de Tiago] com o paganismo cristianizado, miscigenado, sincretizado, politizado e cooptado pelo Imperador Constantino.

Sim; esse é o modelo que vige até aos nossos dias!

Até mesmo o Protestantismo das raízes mais bem intencionadas se serviu dos aparatos que o Catolicismo havia produzido; como, por exemplo, os grandes prédios de culto ao estilo romano; os modelos oficiais de sacerdócio; as hierarquias de autoridade; a oficialidade dos sacramentos; a liturgia do culto; o oráculo procedente de oficiais; os vínculos com as realezas; o conluio com os principados políticos; e, consequentemente, com a propaganda e o mercado.

Assim, a Igreja casa [grão de mostarda] deu lugar à “igreja” Catedral; a Igreja fermento deu lugar à “igreja” da influencia; a Igreja do valor intrínseco deu lugar à “igreja” do intrínseco valor da propaganda; a Igreja do tesouro oculto deu lugar à “igreja” das promoções de poder.

Ora, é por isto que nos últimos 1700 anos a “igreja” teve todos os poderes do mundo na mão, mas o mundo apenas piorou! — sem falar que a Igreja de Deus teve que se ocultar ainda mais nas sombras da “Igreja dos Homens” ou até fora dela!

Desse modo, afirmo que faz milênios que o mundo não assiste ao que possa ser a verdadeira revolução da Igreja; sim, desde os dias em que gente como Paulo praticava a grandeza do pequeno; seguia a fermentalidade subversiva do oculto; celebrava com bravura feliz o achado de grande valor para o coração; e a criação de uma rede de amantes de Deus guiados pela leveza da Palavra apenas — em casas, em bosques, em pequenos grupos, em porões, em jardins particulares, em lugares públicos abandonados, etc... — sim; desde aquele tempo o mundo não viu mais o poder subversivo e sem dono humano da Igreja de Deus!

A revolução da Igreja no mundo decorre de sua disposição de ser não-proprietária; de ser hebreia na leveza peregrinante dos seus movimentos; de ser discreta e prática nas suas obras de amor; de ser o mais livre possível dos poderes constituídos deste mundo; de ser uma comunidade de amor, que se reúne para compartilhar a Palavra, orar, adorar e ajudar-se mutuamente; enquanto vive o testemunho do Evangelho em serviço de amor no mundo.

Se um dia essa Igreja reaparecer em grande escala de multiplicidade não adensada; se ela ressurgir na subversão de ser sem a propaganda de aparecer em outdoors; se ela ressurgir como agente ocultamente visível apenas por suas obras de generosidade e graça; se ela emergir como sombra simples que decorre da sua própria natureza; e se seu gosto for renovado pela qualidade existencial dos seus agentes — então, outra vez, sem que isto decorra de um plano ou de uma estratégia, mas da mera expressão da própria natureza de ser desse ente santo, o mundo tremerá sem saber nem de onde vem o abalo.

Nós, todavia, fomos ensinados pelo diabo que isto é morte, é fraqueza, é moleza, é perda de poder, é desistência de status, é suicídio, é entrega do que se conquistou ao mundo; é coisa de maluco; sim; de gente que perdeu a visão, perdeu a ambição, perdeu o espírito profético.

Sim; diante disso o diabo diz à “igreja”: Jamais! Isto de modo nenhum te acontecerá, Senhora!

Ao que Jesus continua a responder: Arreda de mim, Satanás; pois para mim tu és pedra de tropeço!

Eu, porém, sei que grito no deserto; sei que sou lido como louco; sei que tais palavras são consideradas insanidades; sei que não serei ouvido; embora, em meu coração, saiba também que aqui e ali uns poucos me entendam; e, assim, eu julgue que pela conversão de alguns [...] o que hoje seja horrível, possa ser de um modo ou de outro melhorado; ou, pelo menos, possa, em acontecendo em que escala possa acontecer [...], suscitar, emular ciúmes na “Israel/Igreja/Pedrada” — usando os pensamentos de Paulo em Romanos 9,10 e 11.

Nele, em Quem tenho a consciência tranquila quanto a nunca ter deixado de dizer o que Igreja é para Jesus,


Caio
20 de janeiro de 2012
Lago Norte
Brasília
DF
O problema da "igreja" nunca foram os seus erros humanos, mas sim a sua arrogância em relação a não se enxergar, e oferecer-se como a Representante de Deus na terra.
Tudo em Cristo me deixa perplexo. Seu espírito me intimida, e sua vontade me confunde. Entre ele e qualquer outra pessoa do mundo, não existe termo possível de comparação. Ele é verdadeiramente um ser por si mesmo [...] Procuro em vão na história encontrar o semelhante a Jesus Cristo, ou qualquer coisa que se possa aproximar do evangelho. Nem a história, nem a humanidade, nem os séculos, nem a natureza me oferecem qualquer coisa com a qual possa compará-lo ou explicá-lo. Aqui tudo é extraordinário.
Napoleão

Josué Cláudio Araújo. Tecnologia do Blogger.
 

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